Este artigo foi revisado e aprovado por Global Scientific Affairs na Colgate
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O que são medicamentos GLP-1?

Os medicamentos GLP-1 são fármacos que reproduzem parte dos efeitos de um hormônio produzido naturalmente pelo intestino: o peptídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP-1). Esse hormônio participa da regulação da glicose no sangue, do apetite e da sensação de saciedade após as refeições.

A semaglutida e a liraglutida são análogos do GLP-1 (versões modificadas do hormônio natural) e atuam como agonistas do receptor de GLP-1. Já a tirzepatida atua tanto nos receptores de GLP-1 quanto nos de GIP, sendo chamada de agonista duplo de GIP e GLP-1.

Esses medicamentos podem ser indicados para o tratamento da diabetes tipo 2 e, conforme orientação médica, para o controle de peso em pessoas com obesidade ou sobrepeso associado a outras condições de saúde.

Em geral, eles podem:

  • estimular a liberação de insulina quando a glicose no sangue está elevada;

  • inibir a liberação de glucagon, hormônio que tende a aumentar a glicemia;

  • retardar o esvaziamento gástrico (a velocidade com que o estômago encaminha os alimentos para o intestino delgado), principalmente no início do tratamento; 

  • aumentar a saciedade e reduzir o apetite.

Classe do medicamentoMolécula ativaUso clínico*Administração*
Análogo do GLP-1 e agonista do receptor de GLP-1SemaglutidaDiabetes tipo 2 e/ou controle crônico do pesoGeralmente, injeção semanal**
Agonista duplo dos receptores de GIP e GLP-1TirzepatidaDiabetes tipo 2 e/ou controle crônico do pesoInjeção semanal
Análogo do GLP-1 e agonista do receptor de GLP-1LiraglutidaDiabetes tipo 2 e/ou controle crônico do pesoInjeção diária

 

*A forma de uso, as indicações e a frequência de aplicação variam conforme o produto e a prescrição médica.

** A semaglutida também pode existir em apresentação oral diária para diabetes tipo 2, conforme o produto disponível. 

Como os efeitos colaterais do GLP-1 afetam seus dentes?

Até o momento, não há evidências de que os efeitos colaterais do GLP-1 causem danos diretos ao esmalte (camada externa e dura do dente) ou à dentina (camada localizada abaixo do esmalte). 

Quando há impacto na saúde bucal, ele tende a ocorrer de forma indireta e costuma estar relacionada ao refluxo ou vômito, boca seca e alterações na alimentação. Em algumas pessoas, esses fatores podem aumentar o risco de erosão do esmalte, cárie ou doença gengival.

O GLP-1 causa boca seca (xerostomia)?

A boca seca, também conhecida como xerostomia, pode acontecer durante o tratamento com medicamentos GLP-1. 

A redução do apetite pode levar algumas pessoas a consumir menos alimentos e líquidos. Como a mastigação e a hidratação ajudam a estimular a produção de saliva, a menor ingestão de água, especialmente quando há náuseas, vômitos ou diarreia, pode favorecer o ressecamento da boca.   

A saliva desempenha quatro funções essenciais para a saúde da boca: 

  1. Neutralizar os ácidos bacterianos que, de outra forma, reduziriam o pH bucal abaixo do limiar de dissolução do esmalte; 

  2. Remover restos de alimentos e bactérias das superfícies dentárias; 

  3. Fornecer íons de cálcio e fosfato que ajudam na remineralização de lesões iniciais no esmalte;

  4. Ajudar na defesa antimicrobiana por meio de imunoglobulinas salivares e enzimas, como a lisozima e a lactoferrina. 

Quando o fluxo salivar diminui de forma significativa, todos esses mecanismos de proteção podem ser comprometidos simultaneamente.

As consequências clínicas da boca seca causada pelo GLP-1 podem incluir risco de cárie na linha da gengiva, gengivite e halitose (mau hálito persistente) e candidíase oral (infecção fúngica da boca).

Os sinais mais comuns são sensação pegajosa na boca, sede persistente mesmo após beber líquidos, dificuldade de engolir ou falar, alterações no paladar e saliva mais espessa do que o normal. 

Como explica a cirurgiã-dentista Dra. Raíssa Fonseca, “reconhecer sinais de boca seca precocemente ajuda a prevenir danos aos dentes. A avaliação também permite identificar fatores que podem estar contribuindo para o sintoma.”

Os medicamentos GLP-1 podem causar refluxo ácido e erosão do esmalte?

Segundo estudos publicados no Brazilian Journal of Biological Sciences (2026), a grande maioria dos eventos adversos associados aos medicamentos GLP-1 concentra-se no trato gastrointestinal.

Náuseas e vômitos são muito comuns, especialmente durante as primeiras semanas de tratamento ou em períodos de ajuste da dose. Nessas condições, o ácido do estômago pode retornar pelo esôfago e alcançar a cavidade oral. 

Essa substância possui um pH inferior a 2, enquanto o esmalte dentário já começa a se dissolver quando o pH bucal cai para 5,5. O contato repetido gera erosão intrínseca, uma corrosão provocada por ácidos internos, diferente da gerada pelo consumo de doces ou refrigerantes. 

Esse padrão afeta principalmente a superfície atrás dos dentes frontais e as áreas de mastigação dos molares, sendo um sinal de alerta precoce que os dentistas observam nos pacientes.

Como o esmalte é 96% mineral e não possui células vivas, a estrutura corroída não se regenera sozinha. Como consequência, é possível apresentar sensibilidade dentinária ao consumir bebidas frias, quentes ou ácidas e perceber um amarelamento dos dentes devido à exposição da dentina.

Para reduzir esse impacto, em caso de vômito ou refluxo intenso, evite escovar os dentes imediatamente. Primeiro, enxágue a boca apenas com água para neutralizar os ácidos e só depois de 30 minutos escove os dentes. As cerdas da escova podem arranhar e desgastar o esmalte temporariamente amolecido pela acidez. 

Em pacientes que também sofrem com o bruxismo, o atrito noturno pode agravar a perda do esmalte, tornando o uso de uma placa de proteção indispensável.

Como a redução do apetite pode levar a deficiências nutricionais que afetam os dentes?

Medicamentos GLP-1 foram desenvolvidos para reduzir o apetite e ajudar no tratamento da obesidade. No entanto, em alguns casos, a redução de ingestão calórica por resultar em deficiências nutricionais, especialmente a médio e longo prazo. 

A náusea persistente também pode levar os pacientes a optar por alimentos macios, ricos em carboidratos ou doces, que são mais fáceis de tolerar, aumentando involuntariamente a exposição a açúcares fermentáveis e, consequentemente, o risco de cárie.

Os nutrientes a seguir desempenham funções específicas e bem estabelecidas na manutenção da resistência do esmalte e saúde das gengivas:

  • Cálcio e fosfato: Os principais constituintes minerais da hidroxiapatita (o principal mineral de fosfato de cálcio que forma o esmalte do dente e os ossos). A ingestão insuficiente pode enfraquecer tanto o esmalte quanto o osso alveolar que sustenta os dentes.
  • Vitamina D: Regula a absorção de cálcio no intestino. A deficiência pode comprometer tanto a densidade óssea quanto a mineralização do esmalte, mesmo com uma ingestão adequada de cálcio.
  • Vitamina C: Essencial para a síntese de colágeno. A deficiência pode enfraquecer o tecido conjuntivo gengival, aumentando a suscetibilidade à gengivite e retardando a cicatrização após qualquer procedimento odontológico.
  • Vitaminas do complexo B (B2, B3, B12): Contribuem para a integridade da mucosa oral. As deficiências podem se manifestar como feridas na boca.

Essas mudanças alimentares durante o tratamento com GLP-1 podem comprometer silenciosamente as estruturas bucais, independentemente de quão rigorosamente o paciente escove os dentes e use fio dental. 

Isso ajuda a explicar como um paciente que antes mantinha uma higiene bucal excelente pode desenvolver problemas de saúde dental, como cárie, durante o tratamento.

Os medicamentos GLP-1 alteram o microbioma bucal?

Pesquisas recentes realizadas por instituições, incluindo a Faculdade de Medicina Odontológica da Universidade Case Western Reserve, sugerem que as alterações hídricas, nutricionais e gastrointestinais induzidas por medicamentos GLP-1 podem alterar a composição do microbioma oral. 

Quando o fluxo salivar diminui, o pH da saliva cai, criando um ambiente bucal mais ácido. Essa mudança favorece a proliferação de bactérias cariogênicas, particularmente o Streptococcus mutans,  em detrimento das bactérias comensais protetoras que ajudam a manter o equilíbrio microbiano. 

Mudanças mais amplas na alimentação e no trânsito gastrointestinal associadas ao uso de GLP-1 podem desestabilizar ainda mais esse equilíbrio.

O acúmulo de placa bacteriana, composta por uma população bacteriana mais patogênica, atua em um ambiente menos protegido (com menor quantidade de saliva e pH mais baixo). 

Essa disbiose pode, simultaneamente, aumentar o risco de cárie e os estágios iniciais da gengivite, mesmo que a rotina de escovação e uso do fio dental do paciente não tenha mudado. 

Embora as evidências nesta área ainda sejam recentes e, em grande parte, pré-clínicas, a plausibilidade biológica é bem fundamentada, e vários pesquisadores da área odontológica apontam o monitoramento do microbioma oral como um aspecto relevante a ser considerado em pacientes que utilizam medicamentos GLP-1 a longo prazo.

O que são os "dentes de GLP-1"?

Talvez você já tenha se deparado com o termo “dentes GLP-1” ou expressões relacionadas, como boca GLP-1 circulando nas redes sociais e nas salas de espera de consultórios odontológicos. É importante deixar claro: não se trata de um diagnóstico médico ou odontológico oficial. 

O termo surgiu informalmente para descrever um conjunto de problemas de saúde bucal relatados por pacientes que utilizam medicamentos GLP-1 para perda de peso ou controle do diabetes, incluindo o aparecimento repentino de cárie, aumento da sensibilidade dentinária, desgaste do esmalte, inflamação gengival e, em casos mais avançados relatados de forma anedótica, fraturas dentárias ou aumento da mobilidade dos dentes. 

Alguns pacientes também relatam um gosto metálico ou amargo persistente, às vezes chamado de "língua de GLP-1", que pode estar relacionado à presença de receptores de GLP-1 nas papilas gustativas, bem como aos efeitos da boca seca sobre a percepção do paladar.

Até o momento, nenhum estudo clínico publicado demonstrou uma relação causal direta entre a semaglutida, a tirzepatida ou qualquer outra molécula de GLP-1 e a destruição dos tecidos dentários. 

Os problemas odontológicos observados em usuários de GLP-1 podem ser explicados pela cadeia de efeitos colaterais indiretos, como a xerostomia, refluxo ácido, deficiências nutricionais e alteração do microbioma.

Os riscos associados aos problemas dentários relacionados ao GLP-1 são identificáveis, evitáveis e, na maioria dos casos, controláveis com tratamento odontológico adequado. O termo “dentes de GLP-1” pode causar ansiedade desproporcional e até mesmo levar alguns pacientes a considerarem a interrupção de um tratamento clinicamente benéfico. 

O que se recomenda é estar atento, manter uma comunicação proativa com sua equipe de saúde dental e adotar um plano de prevenção adaptado aos efeitos colaterais específicos que você apresenta.

Quais são os sinais de alerta de problemas odontológicos relacionados ao GLP-1?

As alterações na saúde bucal associadas aos efeitos colaterais do GLP-1 podem se desenvolver gradualmente e permanecer clinicamente assintomáticas em seus estágios iniciais, e é exatamente por isso que é importante estar atento aos sinais de alerta específicos. 

A maioria dos sinais corresponde a manifestações reconhecíveis de erosão do esmalte, xerostomia ou gengivite em estágio inicial, listadas aqui em ordem aproximada, desde as mais precoces e leves até as mais avançadas e urgentes.

  • Boca seca persistente: sensação de boca pegajosa, dificuldade para engolir ou falar, saliva mais espessa do que o normal. Um sinal precoce e muito comum entre os usuários de GLP-1.
  • Aumento da sensibilidade dentária: desconforto ao consumir alimentos e bebidas quentes, frias, doces ou ácidas. Pode indicar a erosão do esmalte ou dentina exposta.
  • Alterações visíveis no esmalte: bordas dentárias translúcidas ou amareladas, pontos lisos ou brilhantes nas superfícies do esmalte. Uma característica marcante da erosão ácida que afeta a superfície mineral.
  • Cáries novas ou múltiplas: especialmente evidentes em pacientes que anteriormente apresentavam excelente higiene bucal. Pode resultar dos efeitos combinados de xerostomia, alterações na alimentação e perturbação do microbioma.
  • Inflamação da gengiva: gengiva vermelha, inchada ou sensível, que sangram facilmente ao escovar os dentes ou usar fio dental. Um indicador precoce de gengivite que requer atenção imediata.
  • Mau hálito persistente (halitose): que não é resolvido com a escovação. Está associado à redução do fluxo salivar e à proliferação bacteriana excessiva em um ambiente bucal seco.
  • Alteração do paladar: sabor metálico, amargo ou azedo na boca (“língua do GLP-1”). Pode estar relacionado à boca seca, aos receptores de GLP-1 nas papilas gustativas ou a alterações precoces da mucosa.
  • Fraturas ou lascas nos dentes: o esmalte enfraquecido pela erosão ácida torna-se significativamente mais suscetível a danos mecânicos, especialmente em pacientes que também rangem os dentes.
  • Dentes com mobilidade ou deslocamento: um sinal de estágio avançado que envolve as estruturas de suporte do periodonto (os tecidos que circundam e sustentam os dentes, incluindo as gengivas e o osso alveolar) que requer avaliação profissional imediata.

Como você pode proteger seus dentes enquanto toma medicamentos GLP-1?

Os efeitos colaterais  dos medicamentos GLP-1 para a saúde dental são reais, mas podem ser controlados. Com uma estratégia de prevenção adequada, é possível manter a saúde dental durante todo o tratamento sem comprometer os benefícios metabólicos ou de perda de peso proporcionados pelo medicamento.

Cada uma das intervenções a seguir atua sobre um mecanismo de risco específico, formando um protocolo integrado, e não apenas uma simples lista de recomendações.

SintomaAção preventivaProduto/ferramenta recomendado(a)
Boca seca/redução do fluxo salivarBeber de 2 a 3 litros de água ao longo do dia; mascar chiclete sem açúcar para estimular mecanicamente a salivação; utilizar um substituto de saliva em spray ou gel à noite, se necessárioChiclete sem açúcar; sprays ou géis substitutos da saliva, vendidos sem receita médica; enxaguante bucal sem álcool
Erosão do esmalte causada por refluxo ácido ou vômitoApós o vômito, enxágue imediatamente com água; aguarde de 30 a 60 minutos antes de escovar os dentes; converse com o médico responsável pela prescrição sobre o tratamento da DRGEEnxaguar a boca com água; consultar o médico sobre os efeitos colaterais gastrointestinais
Remineralização reduzida do esmalteEscove os dentes três vezes ao dia com um creme dental fluoretado; utilize um enxaguante bucal com fluoreto como parte de sua rotina noturna; consulte seu dentista sobre aplicações de verniz fluoretado no consultórioCreme dental com alto teor de fluoreto para pacientes de alto risco (consulte seu dentista); enxaguante bucal à base de fluoreto ou CPC
Proliferação bacteriana e acúmulo de placa dentáriaUsar fio dental diariamente; utilize um creme dental antimicrobiano e um enxaguante bucal com fluoreto; considere o uso de uma escova de dente elétrica para uma remoção mais consistente da placa bacterianaEnxaguante bucal com fluoreto; escova de dente elétrica; escovas interdentais
Deficiências nutricionais que afetam o esmalte e as gengivasDar prioridade a alimentos ricos em cálcio, vitamina D e vitamina C, mesmo quando o apetite estiver reduzido; converse com o médico responsável pelo seu tratamento sobre a possibilidade de tomar suplementos caso a ingestão alimentar seja consistentemente baixaOrientação nutricional; suplementação sob orientação médica
Bruxismo associado ao esmalte enfraquecido pelo ácidoInformar seu dentista caso ranja os dentes; solicite um protetor noturno personalizado para evitar a abrasão mecânica do esmalte, que já se encontra vulnerávelProteção dentária noturna personalizada (fornecida pelo dentista)

 

Manter-se bem hidratado, seguir uma alimentação rica em nutrientes e manter uma rotina consistente de higiene bucal três vezes ao dia com um creme dental fluoretado são os pilares da higiene bucal durante a terapia com GLP-1. 

O creme dental Colgate Total Original Mint, por exemplo, é um grande aliado nessa prevenção ativa. Com tecnologia clinicamente comprovada, ele entrega 24 horas de proteção antibacteriana (com escovação 2 vezes ao dia e uso contínuo durante 4 semanas), ajudando a prevenir a causa raiz dos problemas bucais causados por bactérias.

Além de uma boa escovação, a falta de saliva exige um reforço extra. Para complementar o combate à placa bacteriana sem agredir tecidos já sensíveis, o uso de um enxaguante bucal suave pode ser recomendado. 

O Enxaguante Bucal Colgate Plax Fresh Mint é uma livre de álcool, o que evita o ressecamento da boca. Ele reduz até 99% das bactérias e entrega uma sensação de refrescância instantânea e duradoura.

Para manter a sua saúde oral sempre fortalecida e construir uma barreira química eficiente contra os efeitos indiretos dessa medicação, conheça a linha completa de cuidados e proteção avançada da Colgate para a sua rotina diária.

Quando você deve consultar seu dentista?

Muitos pacientes que tomam medicamentos GLP-1 não mencionam espontaneamente seu tratamento ao dentista, mas ele precisa saber qual remédio você utiliza, a dosagem, há quanto tempo está em tratamento e quais efeitos colaterais está apresentando, pois essas informações influenciam diretamente o seu plano de prevenção. 

Segundo a Dra Raíssa Fonseca, “as primeiras alterações podem ser discretas e muitas vezes passam despercebidas pelo paciente. No consultório, é possível avaliar sinais de erosão, redução do fluxo salivar e cárie em estágio inicial antes que sejam necessários procedimentos complexos.”

Ao contrário de muitos outros efeitos colaterais dos medicamentos GLP-1, que desaparecem quando o medicamento é ajustado ou interrompido, danos dentários como a erosão do esmalte e lesões de cárie com cavitação são irreversíveis sem tratamento restaurador.

Para pacientes que apresentam efeitos colaterais ativos, especialmente boca seca ou refluxo ácido, os dentistas podem sugerir um aumento da frequência das limpezas e consultas em relação ao período padrão de seis meses. Esse intervalo de retorno mais curto permite a detecção precoce desses quadros e a aplicação do tratamento mais adequado.

Na sua próxima consulta, ou em uma consulta específica (caso tenha começado recentemente a tomar um medicamento GLP-1), certifique-se de informar o seguinte à sua equipe de atendimento odontológico:

  • O nome do seu medicamento GLP-1 (nome do genérico ou da marca)

  • Sua dosagem atual e há quanto tempo está tomando o medicamento

  • Quaisquer efeitos colaterais orais em curso (boca seca, náusea, vômito, alteração do paladar)

  • Alguma mudança recente em sua dieta ou nos seus hábitos alimentares?

  • Se você também sofre de DRGE ou refluxo ácido

Com essas informações, seu dentista poderá oferecer cuidados odontológicos preventivos e ajudar você a proteger seu sorriso a longo prazo.

Ainda não sabe por onde começar ou tem dúvidas sobre qual especialidade procurar para tratar esses desconfortos? Confira o nosso guia sobre como escolher o dentista ideal para o seu caso.

Perguntas frequentes sobre medicamentos GLP-1 e saúde dental

Os medicamentos GLP-1 alteram o microbioma bucal?

Os medicamentos GLP-1 podem contribuir indiretamente para alterações no microbioma bucal, principalmente quando seus efeitos colaterais reduzem o fluxo salivar ou provocam mudanças na alimentação. A boca seca, por exemplo, diminui uma das principais formas de proteção e equilíbrio do ambiente bucal, enquanto alterações na dieta podem modificar a disponibilidade de nutrientes para as bactérias presentes na boca. No entanto, as evidências sobre uma relação direta entre os medicamentos GLP-1 e alterações no microbioma bucal ainda são limitadas e recentes. Por isso, não é possível afirmar que esses medicamentos, por si só, causem uma alteração específica na composição das bactérias da boca.

Os medicamentos GLP-1 podem causar perda dentária?

A perda dentária não é um desfecho comumente relatado ou esperado com o uso de GLP-1. No entanto, se os efeitos colaterais indiretos, especialmente a erosão do esmalte decorrente da exposição ao ácido e da doença periodontal avançada, não forem tratados por um longo período, podem contribuir para condições que, em casos graves, podem comprometer a integridade estrutural dos dentes. Isso torna a detecção precoce e os cuidados odontológicos preventivos essenciais para qualquer pessoa em tratamento de longo prazo com medicamentos GLP-1.

Qual é a melhor pasta de dentes para a boca seca causada por medicamentos GLP-1?

Procure um creme dental fluoretado. O fluoreto é o ingrediente mais indicado para a proteção contra a cárie e para promover a remineralização do esmalte em uma boca com baixa produção de saliva. Evite pastas de dente com abrasivos agressivos ou enxaguantes com alto teor de álcool, pois podem ressecar ainda mais os tecidos bucais. Seu dentista também pode recomendar um creme dental fluoretado de alta concentração, vendido sob prescrição, caso o seu risco de cárie seja elevado.

Este artigo tem como objetivo promover a compreensão e o conhecimento sobre temas gerais relacionados à saúde bucal. Ele não pretende substituir aconselhamento, diagnóstico ou tratamento profissional.  Sempre procure a orientação do seu dentista ou de outro profissional de saúde qualificado caso tenha alguma dúvida sobre uma condição médica ou tratamento.