Este artigo foi revisado e aprovado por Global Scientific Affairs na Colgate
ㅤ

Quando a produção de saliva diminui, podem surgir sintomas como desconforto, dificuldade para mastigar ou engolir, mau hálito e maior risco de cáries e outras alterações na saúde bucal.

Descubra a seguir por que os medicamentos GLP-1 podem causar boca seca, quais são os possíveis impactos na saúde bucal e o que fazer para aliviar os sintomas.

O que você vai encontrar neste conteúdo:

O que é a boca seca associada ao GLP-1?

A boca seca associada ao uso de medicamentos GLP-1 refere-se à xerostomia, termo usado para descrever a redução da produção de saliva. Algumas pessoas podem apresentar esse sintoma durante o tratamento com agonistas do receptor do GLP-1, como semaglutida, tirzepatida e dulaglutida. Esses medicamentos são utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e, em alguns casos, no controle do peso, atuando na regulação da glicemia e do apetite.

Embora a boca seca não seja geralmente descrita como um efeito colateral comum desses medicamentos, acredita-se que o sintoma possa estar relacionado a efeitos indiretos do tratamento, como redução da ingestão de líquidos, náuseas, vômitos ou refluxo, que podem contribuir para a sensação de boca seca. 

Se a boca seca persistir durante o uso de um medicamento GLP-1, converse com seu profissional de saúde para avaliar o sintoma e suas possíveis causas. Não interrompa ou altere o tratamento por conta própria.

Por que os medicamentos GLP-1 reduzem a salivação?

Os medicamentos GLP-1 podem reduzir a salivação por atuarem diretamente nas glândulas salivares. Estudos mostram que os receptores de GLP-1 estão presentes nas glândulas salivares humanas. A exposição contínua e prolongada aos medicamentos pode levar à ativação persistente desses receptores e, consequentemente, à sua dessensibilização, reduzindo a capacidade das glândulas de produzir saliva e eletrólitos.

Além desse mecanismo, efeitos comuns do tratamento, como náuseas, redução do apetite e menor ingestão de líquidos, podem favorecer a desidratação e contribuir para a sensação de boca seca.

Redução da ingestão de líquidos e desidratação

A redução da ingestão de líquidos pode contribuir para a boca seca durante o tratamento com medicamentos GLP-1. Esses medicamentos podem causar náuseas e reduzir o apetite em algumas pessoas, o que pode fazer com que elas comam e bebam menos ao longo do dia. Se a ingestão de líquidos não for suficiente, a desidratação pode contribuir para a redução da salivação e para a sensação de boca seca.

Por isso, manter uma ingestão adequada de líquidos ao longo do dia é especialmente importante durante o tratamento. A quantidade necessária pode variar de acordo com fatores como alimentação, atividade física, clima e condições de saúde.

Modulação do sistema nervoso autônomo

O sistema nervoso autônomo participa do controle da produção de saliva, e sua possível relação com a ação dos medicamentos GLP-1 ainda está sendo investigada. A secreção salivar é regulada principalmente pela atividade do sistema nervoso parassimpático, que estimula as glândulas salivares a produzir saliva.

Por isso, quando a boca seca aparece durante o tratamento, é importante considerar também fatores mais bem estabelecidos, como a ingestão insuficiente de líquidos e a desidratação, além de outros efeitos do próprio medicamento.

 

MecanismoComo isso reduz a salivaçãoNível de evidênciaReversibilidade
Ingestão reduzida de líquidos/desidrataçãoNáuseas e supressão do apetite reduzem a ingestão total de líquidosCom base em relatos de casos e observações clínicasAlto — corrigível por meio de hidratação deliberada
Supressão do sinal de sedeA atividade do receptor do GLP-1 no hipotálamo pode atenuar a percepção da sedePlausível do ponto de vista mecânico — evidências diretas limitadasModerado — requer ingestão programada de líquidos (e não apenas quando sentir sede)
Modulação do sistema nervoso autônomoOs receptores de GLP-1 nos gânglios autonômicos podem alterar a secreção salivar parassimpáticaHipotético — pesquisa em andamentoDesconhecido

 

A cirurgiã-dentista Dra. Raíssa Fonseca ressalta: “A boca seca durante o uso de GLP-1 deve ser avaliada de forma multifatorial. Além da medicação, é importante considerar hidratação, efeitos gastrointestinais, respiração bucal e o uso concomitante de outros fármacos que também podem reduzir o fluxo salivar.”

Quais são os sintomas da boca seca associada ao GLP-1?

A boca seca associada ao uso de medicamentos GLP-1 pode causar mais do que a sensação de ressecamento. Quando há redução da saliva, a boca perde parte de suas funções naturais de lubrificação, limpeza e proteção, o que pode favorecer outros sintomas e alterações na saúde bucal.

Os sinais de boca seca podem ser semelhantes aos da xerostomia causada por outras condições. Entre os mais comuns estão:

  • Secura ou sensação de boca pegajosa persistente;
  • Saliva mais espessa e viscosa, que pode parecer pegajosa;
  • Dificuldade para mastigar, engolir ou falar;
  • Sensação de queimação na língua ou na parte interna das bochechas;
  • Lábios rachados ou ressecados;
  • Halitose (mau hálito), que pode ser favorecida pela redução da saliva;
  • Língua esbranquiçada.

Além desses sintomas, algumas pessoas que utilizam medicamentos GLP-1 podem perceber alterações no paladar, como gosto metálico ou amargo. Essas alterações não significam necessariamente que exista redução da produção de saliva, pois podem estar relacionadas a outros efeitos do tratamento.

Se os sintomas forem persistentes ou vierem acompanhados de outras alterações na boca, procure um dentista ou profissional de saúde para identificar a causa e indicar os cuidados mais adequados.

Qual a diferença de boca seca e alterações no paladar?

A boca seca e as alterações no paladar são condições diferentes, embora possam ocorrer ao mesmo tempo durante o tratamento com medicamentos GLP-1. A xerostomia está relacionada à redução ou à sensação de redução da saliva, enquanto as alterações no paladar podem se manifestar como gosto metálico, amargo ou mudanças na percepção dos sabores.

As alterações no paladar podem ter diferentes causas, incluindo mudanças na composição da saliva, no ambiente da boca e na alimentação. Embora existam receptores relacionados ao GLP-1 nas papilas gustativas, ainda são necessárias mais evidências para determinar exatamente como a ação desses medicamentos pode influenciar o paladar.

Por isso, é possível perceber alterações no paladar mesmo sem apresentar uma sensação significativa de boca seca. Se essa alteração persistir ou incomodar, converse com o profissional de saúde responsável pelo tratamento e com seu dentista para avaliar as possíveis causas.

Como a boca seca associada ao GLP-1 danifica seus dentes?

A boca seca associada ao GLP-1 pode aumentar o risco de cáries, erosão do esmalte, doenças gengivais e algumas infecções bucais porque a redução da saliva diminui a proteção natural dos dentes e das gengivas. Os medicamentos GLP-1 não provocam danos diretos aos dentes, mas a redução da saliva pode alterar o pH da boca, diminuir a limpeza natural das superfícies dentárias e favorecer o crescimento de bactérias.

Além disso, a combinação da boca seca com o refluxo ácido associado ao uso de medicamentos GLP-1, relacionado ao esvaziamento gástrico mais lento, pode aumentar a exposição do esmalte ao ácido.Com menos saliva para ajudar a neutralizar esses ácidos, o esmalte pode ficar mais vulnerável. Veja a seguir como esses mecanismos podem afetar diferentes aspectos da sua saúde bucal.

Cárie dental

A redução da saliva pode favorecer o desenvolvimento e a progressão da cárie, pois diminui o efeito de limpeza e de neutralização dos ácidos produzidos naturalmente pela saliva. Sem essa proteção, bactérias produtoras de ácido, principalmente Streptococcus mutans, podem se acumular com maior facilidade nas superfícies dos dentes.

Após as refeições ou o consumo de bebidas ácidas, o pH da boca pode diminuir e levar mais tempo para voltar ao normal. Isso prolonga a exposição do esmalte aos ácidos e favorece sua desmineralização. O risco de cárie dentária associada ao GLP-1 pode ser ainda maior quando há consumo frequente de açúcar e pouca salivação.

Erosão do esmalte

A boca seca pode aumentar a vulnerabilidade do esmalte aos efeitos do refluxo ácido e dos episódios de vômito. Os medicamentos GLP-1 retardam o esvaziamento gástrico, o que pode aumentar o risco de refluxo ácido e, em alguns pacientes, de vômitos.

Quando o ácido gástrico entra em contato com o esmalte, ocorre desmineralização. A saliva ajuda a neutralizar esse ácido e participa da remineralização do esmalte, fornecendo minerais como cálcio e fosfato e contribuindo para a ação do fluoreto. Com a redução do fluxo salivar, essa proteção pode ser prejudicada.

Doença gengival (doença periodontal)

A redução da saliva pode favorecer o acúmulo de placa bacteriana na margem gengival, já que diminui a limpeza mecânica naturalmente proporcionada pela saliva. A alteração do pH também pode afetar o equilíbrio do microbioma bucal e favorecer bactérias associadas às doenças periodontais.

Além disso, a redução da ingestão alimentar durante o tratamento com GLP-1 pode diminuir a ingestão de nutrientes importantes, como cálcio, vitamina D e vitamina B12. Essa possível deficiência nutricional pode comprometer a saúde dos tecidos gengivais e a densidade óssea alveolar, contribuindo para o agravamento de problemas gengivais.

Infecções bucais e sensação de queimação na boca

A redução do fluxo salivar pode aumentar a suscetibilidade a algumas alterações e infecções bucais, além de favorecer a sensação de queimação na boca. A baixa produção de saliva pode contribuir para a proliferação de fungos, como os responsáveis pela candidíase oral (sapinho), que pode se manifestar como manchas brancas no interior da boca.

A xerostomia prolongada também pode estar associada à sensação de queimação na língua ou em outras regiões da boca. Pessoas imunocomprometidas ou que utilizam corticosteróides podem apresentar maior risco de algumas infecções bucais.

“Manchas brancas, dor ou ardência persistente no interior da boca, precisam ser avaliadas, porque podem ter causas diferentes e nem sempre correspondem apenas à boca seca”, alerta Dra. Raíssa Fonseca.

CondiçãoMecanismo principalSinal de alerta precoceAção preventiva
Cavidade dentária (cárie)Redução do tamponamento de ácido e da limpeza bacterianaNova sensibilidade a alimentos frios ou docesCreme dental fluoretado, redução do consumo de açúcar, hidratação consciente
Erosão do esmalteRefluxo ácido ou vômito sem neutralização pela salivaSensibilidade dentinária, bordas translúcidasEnxágue com água após o refluxo e aguarde 30 minutos antes de escovar os dentes
Doenças gengival (gengivite ou periodontite)Acúmulo de placa bacteriana, alteração do microbioma bucalSangramento na gengiva, retração gengivalUse fio dental diariamente, creme dental e enxaguante bucal antibacterianos e visite seu dentista regularmente.
Candidíase oral (sapinho)A baixa produção de saliva favorece a proliferação fúngicaManchas brancas na bocaTratamento antifúngico; consulte seu dentista
Síndrome da boca ardenteIrritação crônica da mucosa causada pela securaSensação persistente de queimação ou formigamentoSubstitutos da saliva; opções disponíveis mediante prescrição médica

Quanto tempo dura a boca seca associada ao GLP-1?

A duração da boca seca associada ao GLP-1 varia de pessoa para pessoa e ainda não pode ser prevista com precisão com base nas evidências disponíveis. Os sintomas parecem surgir com mais frequência nas primeiras semanas de tratamento ou após o aumento da dose e, em alguns casos, podem melhorar gradualmente à medida que o organismo se adapta à medicação.

Quando a boca seca associada ao GLP-1 geralmente começa?

A boca seca pode surgir nas primeiras semanas de tratamento ou após um aumento da dose. A única série de casos revisada por pares disponível até o momento, publicada em 2023 e envolvendo três pacientes, relatou o desenvolvimento de boca seca após uma média de 11,3 semanas de tratamento com semaglutida.

A evolução, porém, pode variar significativamente entre as pessoas. Em pacientes que adotaram estratégias de cuidado, foram observadas melhoras dos sintomas entre 4 e 16 semanas. A boca seca relacionada principalmente à desidratação e à menor ingestão de líquidos pode melhorar conforme o organismo se adapta ao medicamento, o apetite se estabiliza e hábitos regulares de hidratação são estabelecidos. 

Algumas pessoas também podem perceber uma piora temporária dos sintomas após o aumento da dose. Esses episódios podem durar de alguns dias a até duas semanas, mas a evolução não é igual para todos.

Quando você deve procurar um profissional de saúde?

A boca seca que persiste por mais de 16 semanas sem melhora ou que piora progressivamente deve ser avaliada por um profissional de saúde. Essa avaliação pode ajudar a identificar outras possíveis causas de xerostomia, incluindo o uso de outros medicamentos que podem reduzir a salivação, como anti-histamínicos, antidepressivos e alguns anti-hipertensivos, além de alterações nas glândulas salivares ou condições como a síndrome de Sjögren.

A boca seca tende a ser mais perceptível nas primeiras semanas de tratamento com GLP-1 ou após aumentos da dose e pode melhorar com o tempo em algumas pessoas. No entanto, isso não acontece necessariamente com todos os pacientes.

Fatores que podem afetar a recuperação

 

Fatores que podem prolongar os sintomasFatores que podem acelerar a resolução
Esquema de escalonamento rápido da doseHidratação proativa, preventiva e programada (de 2,4 a 3 litros por dia)
Ingestão diária inadequada de líquidosRedução do consumo de cafeína e álcool
Uso concomitante de outros medicamentos xerogênicos, como anti-histamínicos, antidepressivos e certos anti-hipertensivosUso regular de chicletes ou pastilhas sem açúcar à base de xilitol
Disfunção pré-existente das glândulas salivares ou doenças autoimunesRotina de cuidados bucais otimizada, com creme dental fluoretado e enxaguante sem álcool
Alto consumo de cafeína ou álcoolUso de sprays substitutos da saliva vendidos sem receita médica, especialmente à noite

Como tratar a boca seca associada a medicamentos GLP-1?

O tratamento da boca seca associada a medicamentos GLP-1 combina hidratação, estímulo da salivação, cuidados adequados de higiene bucal e, em alguns casos, produtos ou tratamentos prescritos por um profissional de saúde. Como as causas e a intensidade dos sintomas podem variar, diferentes estratégias podem ser combinadas para aliviar o desconforto e ajudar a proteger os dentes e as gengivas.

Hidrate-se

Manter uma ingestão adequada de líquidos ao longo do dia é uma das principais medidas para ajudar a controlar a boca seca. Em vez de esperar sentir sede, procure distribuir o consumo de água durante o dia, especialmente quando houver redução da ingestão de líquidos, prática de exercícios físicos ou exposição a temperaturas elevadas.

Também pode ser útil beber água durante as refeições, especialmente quando a boca seca dificulta a mastigação ou a deglutição. Cafeína, álcool e bebidas ácidas ou gaseificadas podem agravar o desconforto em algumas pessoas e, por isso, devem ser consumidos com moderação.

Estimulação da produção de saliva

Mascar chiclete sem açúcar ou usar pastilhas sem açúcar pode estimular a produção de saliva e ajudar a aliviar a sensação de boca seca. Produtos que contêm xilitol também podem ser uma opção, pois o xilitol não é fermentado pelas bactérias da mesma forma que os açúcares.

A mastigação durante as refeições também estimula naturalmente a produção de saliva. Por isso, sempre que possível, manter refeições regulares e equilibradas pode contribuir para esse estímulo.

Seleção de produtos para higiene bucal

O uso de produtos adequados para a higiene bucal é especialmente importante quando há boca seca, pois a redução da saliva pode aumentar a vulnerabilidade dos dentes e das gengivas.

Na escolha do creme dental, dê preferência a produtos com flúor, que ajudam a fortalecer e remineralizar o esmalte e a prevenir cárie. Algumas pessoas com boca seca também podem se beneficiar de formulações sem lauril sulfato de sódio (SLS), especialmente quando apresentam sensibilidade na mucosa.

Para o enxaguante bucal, prefira formulações sem álcool, especialmente se houver sensação de ressecamento. Enxaguantes com flúor podem complementar a proteção contra cáries. Substitutos da saliva disponíveis em sprays, géis ou enxaguantes também podem ajudar a lubrificar a boca e aliviar os sintomas, principalmente à noite. 

O Creme Dental Colgate Total Original Mint, por exemplo, combate as bactérias, as quais são a causa raíz de mau hálito, cárie, placa dentária, tártaro e acúmulo de bactérias na gengiva.

Com fórmula zero álcool, o enxaguante Enxaguante Bucal Colgate Total Clean Mint protege por até 24 horas contra bactérias (usando 2x ao dia). Sua fórmula fortalece o esmalte e previne a perda de minerais dos dentes. 

O sucesso da terapia medicamentosa para redução de peso passa por uma saúde geral equilibrada. Conheça os produtos da linha Colgate Total e garanta a proteção diária que o seu sorriso precisa.

Ajustes no estilo de vida

Manter o ambiente úmido durante a noite, especialmente com o uso de um umidificador, pode ser útil para pessoas que respiram pela boca enquanto dormem. Durante o dia, sempre que possível, respirar pelo nariz também ajuda a evitar o ressecamento causado pela evaporação da saliva.

Após episódios de vômito ou refluxo, enxaguar a boca com água ajuda a remover e diluir os ácidos. Evite escovar os dentes imediatamente após esses episódios e aguarde pelo menos 30 minutos, pois o esmalte pode estar temporariamente mais vulnerável à ação mecânica da escovação.

Também é importante manter uma alimentação adequada e variada, especialmente quando a redução do apetite dificulta o consumo regular de alimentos e nutrientes.

Opções de prescrição

Casos de boca seca intensa ou persistente podem exigir avaliação profissional e, em algumas situações, tratamento com prescrição. Alguns medicamentos podem estimular a produção de saliva e são utilizados em determinadas condições associadas à xerostomia, conforme avaliação médica.

Em pessoas com risco elevado de cáries ou alterações do esmalte, o dentista também pode recomendar produtos com concentrações maiores de flúor ou outros cuidados específicos.

Não ajuste a dose do medicamento GLP-1 nem interrompa o tratamento para tentar controlar a boca seca sem antes conversar com o profissional de saúde responsável pela prescrição.

Como parte dos cuidados diários, algumas medidas podem ajudar a controlar os sintomas:

  • Beba água regularmente ao longo do dia, sem depender apenas da sensação de sede.
  • Masque chiclete sem açúcar ou use pastilhas sem açúcar, especialmente após as refeições.
  • Escove os dentes duas vezes ao dia com um creme dental fluoretado.
  • Utilize um enxaguante bucal sem álcool, preferencialmente com flúor.
  • Use substitutos da saliva, como sprays ou géis, conforme a necessidade.
  • Evite ou reduza o consumo de cafeína, álcool, tabaco e bebidas ácidas ou gaseificadas.
  • Enxágue a boca com água após episódios de refluxo ou vômito e evite escovar os dentes imediatamente.
  • Procure um profissional de saúde caso os sintomas sejam intensos ou persistentes.

Quando você deve procurar seu dentista se estiver usando um medicamento GLP-1?

Se você usa um medicamento GLP-1 e apresenta boca seca persistente, procure seu dentista para avaliar possíveis alterações nos dentes, nas gengivas e na mucosa da boca. O acompanhamento profissional permite identificar precocemente sinais de cárie, erosão do esmalte e alterações gengivais e, quando necessário, ajustar os cuidados preventivos.

Para pessoas com xerostomia persistente, o dentista pode recomendar consultas e limpezas em intervalos diferentes dos exames odontológicos de rotina, de acordo com o risco individual. Na primeira avaliação após o início do tratamento, também pode ser feita uma avaliação da produção de saliva para acompanhar possíveis mudanças ao longo do tempo.

Informe sua equipe odontológica sobre o uso de medicamentos GLP-1. Essa informação ajuda o profissional a avaliar seu risco de cáries e definir um plano preventivo adequado, que pode incluir cuidados com flúor e orientações de higiene e alimentação. A escovação duas vezes ao dia com creme dental fluoretado e a limpeza diária entre os dentes também são medidas importantes para manter a saúde bucal.

Além das consultas de acompanhamento, alguns sinais justificam procurar o dentista antes da próxima consulta:

  • Sensibilidade dentária nova ou agravada, especialmente ao consumir alimentos ou bebidas frios ou doces ou ao exercer pressão sobre os dentes;
  • Manchas brancas visíveis nos dentes, que podem indicar alterações iniciais do esmalte;
  • Sangramento ou inchaço nas gengivas;
  • Manchas brancas no interior da boca, que podem estar relacionadas à candidíase oral (sapinho);
  • Fratura ou lasca dentária sem causa aparente;
  • Sensação persistente de queimação ou formigamento na língua ou na parte interna das bochechas.

O que informar ao seu dentista

Informe ao dentista que você usa um medicamento GLP-1 e compartilhe informações sobre o tratamento e os sintomas que percebeu. Sempre que possível, leve:

  • O nome e a dose do medicamento GLP-1;
  • Há quanto tempo você utiliza o medicamento;
  • Se a boca seca começou no início do tratamento ou após um aumento da dose;
  • Quaisquer outros medicamentos que você utiliza e que também possam causar boca seca, como anti-histamínicos, antidepressivos e alguns anti-hipertensivos.

Perguntas frequentes sobre GLP-1 e boca seca

A boca seca associada ao GLP-1 afeta a eficácia do medicamento?

Não. A boca seca não reduz, por si só, os benefícios dos medicamentos GLP-1 no controle da glicemia ou do peso. O sintoma pode estar relacionado indiretamente a efeitos do tratamento, como alterações no apetite, na ingestão de líquidos e no sistema digestivo, mas não interfere diretamente na ação dos medicamentos sobre os receptores de GLP-1.

Posso usar pasta de dente comum se tiver boca seca associada ao GLP-1?

Sim. Um creme dental fluoretado convencional pode ser utilizado por pessoas com boca seca. Em alguns casos, formulações desenvolvidas especificamente para a xerostomia, como aquelas sem lauril sulfato de sódio (SLS) e com ingredientes hidratantes, podem proporcionar maior conforto. Se houver irritação ou sensibilidade, converse com seu dentista sobre qual produto é mais adequado.

Devo interromper o tratamento com meu medicamento GLP-1 devido à boca seca?

Não interrompa nem altere o tratamento com medicamentos GLP-1 sem conversar com o profissional de saúde que fez a prescrição. A boca seca pode ser manejada com medidas como hidratação adequada, higiene bucal e produtos específicos para aliviar o desconforto. Se o sintoma persistir ou for intenso, o médico e o dentista podem avaliar as possíveis causas e orientar o cuidado mais adequado.

Este artigo tem como objetivo promover a compreensão e o conhecimento sobre temas gerais relacionados à saúde bucal. Ele não pretende substituir aconselhamento, diagnóstico ou tratamento profissional.  Sempre procure a orientação do seu dentista ou de outro profissional de saúde qualificado caso tenha alguma dúvida sobre uma condição médica ou tratamento.