Este artigo foi revisado e aprovado por Global Scientific Affairs na Colgate
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Medicamentos GLP-1 causam feridas na boca?

Os medicamentos agonistas do receptor de GLP-1, como semaglutida, tirzepatida, liraglutida e dulaglutida, não têm as ulcerações bucais descritas como um efeito adverso direto em suas informações de prescrição. 

No entanto, alguns efeitos associados ao tratamento, como xerostomia (boca seca), refluxo gastroesofágico e vômitos, podem criar condições que favorecem a irritação da mucosa e o surgimento de aftas, úlceras e outras lesões na boca.

Dados de farmacovigilância referentes ao período de 2024 a 2025 identificaram relatos de sintomas orais e salivares em pessoas que utilizam agonistas do receptor de GLP-1, principalmente xerostomia, disgeusia (alteração do paladar) e hipoestesia oral (redução da sensibilidade na boca). 

Esses dados, porém, não comprovam que as lesões da mucosa sejam um efeito farmacológico direto dos medicamentos. A relação parece estar mais associada aos efeitos indiretos do tratamento que podem alterar o ambiente bucal.

Essa distinção é importante. A redução do fluxo salivar pode comprometer uma das principais defesas naturais da boca, enquanto o refluxo e os episódios de vômito podem expor a mucosa ao ácido gástrico. A combinação desses fatores pode deixar os tecidos bucais mais vulneráveis à irritação. 

A redução do apetite associada ao tratamento pode diminuir a ingestão de alimentos e, em alguns casos, dificultar o consumo adequado de nutrientes importantes para a manutenção e a reparação dos tecidos.

As evidências clínicas sobre a relação entre os medicamentos GLP-1 e as lesões na boca ainda são limitadas. Os principais estudos de fase III sobre a semaglutida, incluindo o programa STEP, avaliaram de forma ampla os efeitos gastrointestinais, mas não investigaram de maneira sistemática todos os desfechos relacionados aos dentes e à mucosa oral. Por isso, parte do conhecimento atual sobre possíveis alterações bucais vem de dados de farmacovigilância, relatos de casos e estudos sobre os mecanismos envolvidos, e não de ensaios clínicos randomizados especificamente desenhados para avaliar essas manifestações.

Na prática, o aparecimento de uma ferida na boca durante o tratamento com um medicamento GLP-1 não significa necessariamente que o medicamento seja a causa direta da lesão. É importante observar outros fatores, se as lesões forem persistentes, recorrentes ou acompanhadas de outros sintomas, procure um dentista para avaliar a causa e indicar os cuidados adequados.

“Na consulta, avaliamos a duração, a localização, o aspecto da lesão, a presença de trauma local, a qualidade da salivação, a alimentação e os medicamentos em uso. Essa investigação é o que permite diferenciar uma afta comum de uma alteração que exige outra abordagem”, explica a cirurgiã-dentista Dra. Raíssa Fonseca.

Como a boca seca pode causar feridas?

A boca seca, clinicamente chamada de xerostomia, é uma das possíveis alterações de saúde bucal relatadas por pessoas que utilizam medicamentos GLP-1. Sua relação com feridas na boca, pode envolver tanto alterações na salivação quanto a redução da ingestão de alimentos e líquidos causada pela diminuição do apetite. Estudos sobre os mecanismos envolvidos sugerem que os receptores de GLP-1 presentes nas glândulas salivares podem participar da regulação da secreção salivar, embora a relação direta entre a ação dos medicamentos nesses receptores e a xerostomia ainda precise ser melhor estabelecida.

A saliva desempenha funções essenciais para a proteção da boca. Ela ajuda a neutralizar ácidos, participa da defesa contra microrganismos e forma uma película de mucina que lubrifica e protege a mucosa contra o atrito. Quando o fluxo salivar diminui, essas funções podem ficar comprometidas, deixando os tecidos mais vulneráveis à irritação e favorecendo problemas como desconforto, fissuras e algumas lesões na mucosa.

Além disso, a saliva contribui para a remineralização do esmalte, fornecendo cálcio e fosfato e ajudando a manter o equilíbrio do ambiente bucal. A redução do fluxo salivar também pode estar associada a alterações do paladar (disgeusia). Por este motivo, a boca seca durante o tratamento com medicamentos GLP-1 merece atenção não apenas pelo desconforto, mas também pelo papel da saliva na manutenção da saúde bucal.

Qual é a sequência biológica que leva da boca seca às feridas na boca?

A boca seca pode aumentar a vulnerabilidade da mucosa por diferentes mecanismos. De forma simplificada, essa relação pode ser entendida em cinco etapas:

  1. Redução do fluxo salivar: alterações na salivação, associadas ao tratamento ou à menor ingestão de alimentos e líquidos, diminuem a quantidade de saliva disponível na boca.
  2. Menor capacidade de neutralizar ácidos: com menos saliva, a capacidade de tamponamento é reduzida, o que pode favorecer alterações do pH bucal e aumentar a exposição dos tecidos aos ácidos.
  3. Redução das defesas antimicrobianas: a saliva contém componentes como imunoglobulina A secretora (sIgA) e lactoferrina, que participam da defesa contra microrganismos. Com a redução do fluxo salivar, essa proteção pode ser prejudicada.
  4. Menor proteção da mucosa: a mucina presente na saliva forma uma película que lubrifica o epitélio oral e ajuda a protegê-lo contra o atrito. Com menos saliva, a mucosa pode ficar mais seca e suscetível à irritação.
  5. Maior vulnerabilidade a lesões: a combinação de ressecamento, alterações no ambiente bucal e atrito durante atividades como falar e mastigar pode favorecer o aparecimento de fissuras, irritações e feridas na boca.
Função salivarProdução normalRedução da produção (usuários de GLP-1)
Tamponamento de ácidospH mantido entre 6,7 e 7,3O pH diminui; o esmalte e a mucosa ficam em risco
Defesa antimicrobianaA sIgA inibe S. mutans e C. albicansAs espécies patogênicas predominam; risco de candidíase oral ↑
Proteção da mucosaA película de mucina lubrifica o epitélioIrritação dos tecidos; maior probabilidade de aftas.
Remineralização do esmalteOs íons de cálcio e fosfato reparam microlesõesA remineralização é interrompida; a cárie se acelera
Percepção do saborFunção gustativa normalRelatos de disgeusia (sabor metálico/amargo)

Como o refluxo ácido e o vômito causam danos aos tecidos bucais?

O refluxo ácido e o vômito podem causar dor e lesões nos tecidos bucais porque expõem a boca ao ácido gástrico, que pode irritar a mucosa e contribuir para a erosão do esmalte dentário. Durante o tratamento com medicamentos GLP-1, esse processo pode estar relacionado ao retardo do esvaziamento gástrico, mecanismo que pode favorecer sintomas gastrointestinais, como náusea, refluxo e vômito.

A náusea e o vômito estão entre os efeitos gastrointestinais relatados durante o tratamento com agonistas do receptor de GLP-1, especialmente nas primeiras semanas ou após o aumento da dose. Quando ocorre o refluxo ou o vômito, o ácido gástrico, que apresenta pH de aproximadamente 1,5 a 3,5, entra em contato com a cavidade oral.

Essa exposição pode causar irritação direta da mucosa bucal, provocando ardência, sensibilidade e áreas doloridas. Ao mesmo tempo, a exposição frequente ao ácido pode favorecer a desmineralização do esmalte, cujo mineral predominante, a hidroxiapatita, começa a se dissolver quando o ambiente atinge um pH crítico de aproximadamente 5,5.

A Dra. Raíssa Fonseca reforça: “O ácido gástrico não afeta apenas o esmalte. Quando os episódios se repetem, ele também pode irritar tecidos moles já sensibilizados pela boca seca, causando ardência, sensação de queimação e desconforto.” 

Por isso, episódios frequentes de refluxo ou vômito durante o tratamento com medicamentos GLP-1 podem representar um fator adicional de risco para a saúde bucal. Nesses casos, alguns cuidados após o vômito podem ajudar a reduzir o contato do ácido com os dentes e os tecidos da boca.

O que fazer depois de vomitar durante o tratamento com GLP-1?

Após vomitar, enxágue a boca imediatamente e espere de 30 a 60 minutos antes de escovar os dentes. Esse intervalo ajuda a evitar que a escovação cause desgaste adicional ao esmalte temporariamente amolecido pela exposição ao ácido. Siga estas etapas:

  1. Enxágue imediatamente com água pura para remover e diluir o ácido gástrico presente na cavidade oral.
  2. Aguarde de 30 a 60 minutos antes de escovar os dentes, permitindo que o esmalte se recupere antes da ação mecânica da escovação.
  3. Escove os dentes com um creme dental fluoretado, como Colgate Total, que ajuda a prevenir cárie e a fortalecer o esmalte.
  4. Considere o uso de um enxaguante bucal com fluoreto e sem álcool caso também exista irritação dos tecidos moles. Essa opção pode ajudar a proteger o esmalte e o revestimento mucoso sem o potencial efeito ressecante de produtos à base de álcool.

Deficiências nutricionais associadas ao uso de GLP-1 podem desencadear feridas na boca?

Sim. Deficiências de nutrientes como vitamina B12, ferro e ácido fólico podem contribuir para o aparecimento de aftas e outras lesões na boca. No contexto do tratamento com medicamentos GLP-1, essa relação pode ocorrer indiretamente pela forte supressão do apetite e consequente redução da ingestão de alimentos, o que pode dificultar o consumo adequado de nutrientes essenciais.

Uma pesquisa publicada em 2025 destaca que pessoas que utilizam agonistas do receptor GLP-1 podem, inadvertidamente, consumir quantidades insuficientes de cálcio, vitamina C, vitamina D, vitamina B12, ferro, ácido fólico e proteínas quando passam a comer significativamente menos. Muitos desses nutrientes são importantes para a manutenção da mucosa oral, da resposta imunológica e da cicatrização dos tecidos.

A vitamina B12, o ferro e o ácido fólico estão entre os nutrientes associados à estomatite aftosa recorrente (EAR), termo médico utilizado para descrever aftas recorrentes. Quando há deficiência, a renovação das células da mucosa oral pode ser prejudicada, favorecendo o aparecimento ou a persistência de lesões.

A vitamina C participa da síntese de colágeno e contribui para a integridade das gengivas e a cicatrização. Já o cálcio e a vitamina D estão relacionados à saúde do tecido ósseo e à manutenção dos dentes, enquanto a proteína fornece aminoácidos necessários para a reparação dos tecidos e participa da resposta imunológica.

Por isso, quando uma pessoa em tratamento com medicamento GLP-1 apresenta feridas ou ulcerações recorrentes na boca, é importante considerar seu estado nutricional e investigar possíveis deficiências, em vez de atribuir automaticamente as lesões ao medicamento. Conforme a avaliação clínica, exames laboratoriais podem incluir vitamina B12, ferritina, ácido fólico, vitamina D e cálcio.

NutrienteFunção oralSinais de deficiência na bocaRiscos associados ao tratamento com GLP-1
Vitamina CSíntese de colágeno; integridade da gengivaSangramento nas gengivas; feridas de cicatrização lentaModerado ↑ (redução na ingestão de alimentos)
Vitamina B12Renovação celular da mucosaÚlceras aftosas recorrentes; glossiteAlto ↑ (supressão do apetite)
Ferro/Ácido fólicoProdução de glóbulos vermelhos; reparação epitelialMucosa pálida; aftas recorrentesModerado ↑
Cálcio/Vitamina DDensidade no osso alveolar; resistência do esmalteAumento do risco de cáries; dentes soltos (a longo prazo)Alto ↑ (redução no consumo de laticínios e alimentos)
ProteínaReparação tecidual; resposta imunológicaRetardo na cicatrização; gengivas inflamadasModerado ↑

Quais sintomas bucais os usuários de GLP-1 devem se atentar?

Quem usa medicamentos GLP-1 deve ficar atento a novos sintomas bucais, como aftas ou outras úlceras, boca seca, manchas brancas, lábios rachados, alteração do paladar, sangramento ou inchaço nas gengivas, sensibilidade dentária e mau hálito persistente.

Esses sinais podem ter diferentes causas e nem sempre estão diretamente relacionados ao medicamento. Por isso, é importante observar quando começaram e informar qualquer alteração ao dentista ou à equipe de saúde.

Alguns sintomas afetam principalmente os tecidos moles, como a mucosa, as gengivas e os lábios, enquanto outros podem estar relacionados a alterações nos dentes. Entre os sinais que merecem atenção estão:

  • Pequenas úlceras dolorosas na língua, na parte interna das bochechas ou nas gengivas, podem corresponder a aftas (úlceras aftosas), embora outras condições também possam causar lesões semelhantes.
  • Boca seca persistente, mesmo com a ingestão habitual de água. A redução do fluxo salivar pode favorecer desconforto, mau hálito, lesões na mucosa e infecções, como a candidíase oral.
  • Manchas ou placas brancas no interior da boca, podem ser um sinal de candidíase oral, especialmente quando há redução do fluxo salivar.
  • Lábios rachados ou doloridos, especialmente nos cantos da boca. Quando a alteração ocorre nos cantos dos lábios, pode caracterizar queilite angular, que pode estar associada à umidade local, infecções e deficiências nutricionais.
  • Sabor metálico, amargo ou alteração do paladar (disgeusia) durante o uso de medicamentos, ainda que essas alterações também possam ter outras causas.
  • Sangramento ou inchaço nas gengivas, podem ser sinais de gengivite ou de outras condições periodontais e devem ser avaliados, principalmente quando persistentes.
  • Aumento da sensibilidade dentária a estímulos quentes, frios ou doces, que pode estar relacionada à exposição da dentina e também pode ocorrer em situações de desgaste ou erosão do esmalte.
  • Mau hálito persistente (halitose) que não melhora com a higiene bucal. 
  • Próteses dentárias que ficam soltas ou desconfortáveis. Alterações no ajuste das próteses podem ocorrer por mudanças nos tecidos bucais e também podem favorecer pontos de atrito e lesões. 

Se uma lesão ou outro sintoma bucal persistir por duas semanas ou mais, procure avaliação odontológica. A ADA recomenda investigação de alterações orais persistentes nesse período, especialmente quando há lesões que não desaparecem ou apresentam características suspeitas.

Como aliviar e tratar feridas na boca durante o tratamento com GLP-1?

Para aliviar e tratar feridas na boca durante o tratamento com medicamentos GLP-1, é importante controlar a irritação da mucosa, aliviar a dor, estimular a salivação e proteger os tecidos bucais. A maioria das úlceras na boca, especialmente aquelas associadas à boca seca ou à irritação da mucosa, desaparece espontaneamente em 7 a 14 dias, desde que as condições bucais subjacentes sejam corrigidas.

Não existe medicamento antiviral específico para a estomatite aftosa recorrente, e o tratamento é direcionado ao alívio dos sintomas e à proteção da mucosa. Os cuidados podem incluir medidas para reduzir a carga bacteriana e fúngica, proteger fisicamente o tecido lesionado e restaurar a função salivar, sobretudo quando a xerostomia contribui para o aparecimento das feridas.

  1. Anestésicos tópicos de venda livre: podem proporcionar alívio local e temporário da dor, facilitando atividades como comer e falar. Aplique diretamente sobre a úlcera com um cotonete limpo, conforme as orientações do produto.
  2. Chiclete ou pastilhas sem açúcar: a mastigação estimula mecanicamente o fluxo salivar, ajudando a elevar o pH da boca e a reduzir a contagem de Streptococcus mutans. Essa medida é bastante útil quando a boca seca contribui para tornar a mucosa mais vulnerável.
  3. Tratamento antifúngico oral (requer receita médica): se houver manchas brancas compatíveis com candidíase oral, é importante consultar um dentista ou médico para obter o diagnóstico e o tratamento adequado. A candidíase oral requer tratamento específico e não deve ser tratada apenas com antissépticos de venda livre.

Qual é o protocolo de higiene bucal diária para usuários de GLP-1?

A rotina diária de higiene bucal para quem usa medicamentos GLP-1 deve incluir escovação com creme dental fluoretado, limpeza entre os dentes, estímulo à salivação e cuidados extras após episódios de vômito. Essas medidas ajudam a proteger os dentes e os tecidos da boca diante de fatores que podem ocorrer durante o tratamento, como boca seca, refluxo, vômitos e redução da ingestão alimentar.

A prevenção é especialmente importante quando há redução do fluxo salivar ou exposição frequente ao ácido gástrico, pois a saliva participa da proteção natural da boca. Por isso, os cuidados devem fazer parte da rotina desde o início do tratamento, e não apenas depois do aparecimento de sintomas.

AçãoQuandoFundamentação clínica
Escove os dentes por 2 minutos com um creme dental fluoretado antibacterianoDepois das refeições e à noite, antes de dormirReduz as bactérias da placa bacteriana; o fluoreto fortalece o esmalte contra a erosão ácida
Enxaguante bucal fluoretado sem álcoolConforme orientação do dentistaRemove resíduos alimentares sem ressecar a mucosa
Após o vômito, enxágue a boca e aguarde de 30 a 60 minutos antes de escovar os dentesApós o vômitoNeutraliza o ácido gástrico (pH ~1,5) antes que ele corroa o esmalte temporariamente amolecido
Beba água ao longo do dia e masque chiclete sem açúcar, preferencialmente com xilitolAo longo do diaCombate a xerostomia; estimula mecanicamente a produção de saliva; o xilitol inibe S. mutans
Use fio dental uma vez ao dia; utilize uma escova interdental, se necessárioDiárioRemove a placa interproximal que se acumula mais rapidamente em condições de boca seca
Observe a presença de novas lesões ou úlceras persistentesSemanalA detecção precoce evita a progressão para uma infecção avançada
Faça consultas e limpezas profissionais conforme a recomendação do dentistaConforme recomendado pelo dentistaRecomendado por especialistas em odontologia para usuários ativos de GLP-1, a fim de identificar riscos clínicos e sintomas mais cedo

 

Se houver boca seca persistente, refluxo ou vômitos frequentes, feridas recorrentes ou outras alterações bucais, converse com o dentista e com o profissional que acompanha o tratamento com GLP-1. A frequência das consultas e a necessidade de exames adicionais devem ser definidas de acordo com os sintomas e as condições de saúde de cada pessoa.  

Para complementar esse cuidado, um enxaguante bucal sem álcool pode ser uma opção mais confortável para quem apresenta sensação de ressecamento. O Enxaguante Bucal Colgate Total Clean Mint , por exemplo, ajuda a combater as bactérias da boca, fortalece o esmalte e ajuda a prevenir a perda de minerais dos dentes. 

Proteja seu sorriso em todas as etapas do seu tratamento. Conheça as soluções de higiene bucal da Colgate para sua rotina e para necessidades como sensibilidade dentinária.

Quando procurar um dentista devido a sintomas orais associados ao GLP-1?

Procure atendimento odontológico se apresentar:

  • Ferida na boca que não cicatriza em até 14 dias. Lesões persistentes devem ser avaliadas para identificar sua causa.
  • Manchas ou placas brancas persistentes na boca. Elas podem estar relacionadas à candidíase oral, mas também podem ter outras causas e, quando persistentes, precisam de avaliação profissional.
  • Sensibilidade dentária nova ou repentina a estímulos como alimentos quentes, frios ou doces, especialmente quando não melhora.
  • Sangramento ou inchaço persistente na gengiva, principalmente quando ocorre durante a higiene bucal ou sem uma causa aparente.
  • Boca seca intensa e persistente, mesmo com hidratação e medidas para estimular a salivação.
  • Feridas ou outros sintomas que estejam piorando, sejam recorrentes ou estejam interferindo para comer, beber ou falar.

Durante o tratamento com medicamentos GLP-1, também é importante informar ao dentista sobre o uso da medicação, principalmente quando houver alterações que possam afetar a saúde bucal.

Embora muitas dessas alterações bucais possam ser temporárias, alguns sinais precisam de avaliação profissional porque podem ter causas diferentes e exigir tratamentos específicos. 

O acompanhamento preventivo permite avaliar individualmente a saúde dos dentes, gengivas e mucosa e identificar precocemente qualquer alteração.

Também é importante informar ao dentista quais medicamentos você utiliza atualmente. Dessa forma, o profissional pode considerar seu tratamento ao avaliar sintomas bucais e, quando necessário, trabalhar em conjunto com o profissional responsável pela prescrição do GLP-1.

Perguntas frequentes sobre medicamentos GLP-1 e feridas na boca

A semaglutida pode causar aftas ou úlceras na boca?

Sim, a semaglutida pode contribuir indiretamente para o aparecimento de aftas ou úlceras na boca, embora não esteja listada como causa direta de aftas em suas informações de prescrição.

Dados de farmacovigilância e relatos de pacientes associam efeitos do tratamento, incluindo xerostomia, disgeusia e irritação da mucosa, a condições que podem favorecer o desenvolvimento de úlceras aftosas. Corrigir a boca seca e reduzir a exposição ao ácido pode ajudar a resolver ou reduzir essas aftas quando esses fatores estão contribuindo para as lesões.

A tirzepatida (um agonista duplo de GIP/GLP-1) pode causar feridas na boca?

Sim, a tirzepatida pode estar associada indiretamente a feridas e outros sintomas na boca, embora as lesões não sejam necessariamente um efeito direto do medicamento.

Efeitos como retardo do esvaziamento gástrico, náusea e vômitos podem aumentar a exposição da boca ao ácido e contribuir para a irritação dos tecidos. Alterações na salivação também podem contribuir para a vulnerabilidade da cavidade oral. Por isso, o mesmo protocolo de cuidados bucais preventivos pode ser aplicado durante o tratamento com tirzepatida, com atenção especial à hidratação, à higiene bucal, à boca seca e à exposição ao ácido.

Como eu posso proteger minha saúde dental ao fazer uso de um medicamento GLP-1?

Para proteger a saúde bucal durante o uso de um medicamento GLP-1, escove os dentes três vezes ao dia com um creme dental fluoretado antibacteriano, mantenha-se hidratado, estimule a salivação com chiclete sem açúcar e siga os cuidados recomendados após episódios de vômito.

Também é importante enxaguar a boca após as refeições com um enxaguante bucal fluoretado sem álcool e manter consultas odontológicas regulares, podendo ser necessária uma frequência maior do que o intervalo padrão de 6 meses, conforme a avaliação do dentista. O ideal é iniciar essa rotina desde a primeira dose do medicamento, antes do surgimento dos sintomas, para ajudar a proteger os dentes e os tecidos bucais ao longo do tratamento.

Os medicamentos GLP-1 causam ressecamento dos lábios?

Os medicamentos GLP-1 podem contribuir para o ressecamento dos lábios, especialmente quando reduzem a produção de saliva e favorecem a boca seca.

Os agonistas do receptor de GLP-1 podem atuar sobre os receptores de GLP-1 presentes no tecido das glândulas salivares, interferindo na via de sinalização cálcio/AMPc envolvida na secreção de fluidos. Esse efeito pode ocorrer mesmo em pacientes hidratados, pois a redução da salivação não depende apenas da quantidade de água ingerida. Por isso, medidas como hidratação, produtos estimulantes da saliva e acompanhamento odontológico regular são importantes durante o tratamento.

Este artigo tem como objetivo promover a compreensão e o conhecimento sobre temas gerais relacionados à saúde bucal. Ele não pretende substituir aconselhamento, diagnóstico ou tratamento profissional.  Sempre procure a orientação do seu dentista ou de outro profissional de saúde qualificado caso tenha alguma dúvida sobre uma condição médica ou tratamento.