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Relação entre Porphyromonas gingivalis e doença periodontal

Você sabia que sua boca abriga mais de 6 bilhões de bactérias? Você pode conferir essa informação em uma revisão publicada na revista Frontiers in Microbiology, que explica que centenas de espécies de bactérias bucais geralmente coexistem em um ambiente equilibrado, mas quando as condições mudam, alguns tipos podem se sobressair, causando cárie dentária ou doença periodontal. No entanto, a única espécie que está mais relacionada à doença periodontal (da gengiva) é a Porphyromonas gingivalis, ou P. gingivalis.

Como ocorre a doença periodontal?

A natureza peculiar da doença periodontal (periodontite) é que ela destrói as estruturas de suporte dos dentes ― incluindo o tecido gengival, o osso que prende os dentes nos alvéolos e os ligamentos que ligam os dentes ao osso. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, quando não tratada, a inflamação aguda causada pela doença periodontal pode levar à formação de bolsas ao redor dos dentes e, por fim, à perda dos dentes.

Tudo começa com o acúmulo de bactérias nos dentes. O resultado é uma inflamação da gengiva, que faz com que ela inche e sangre facilmente. A placa, formada pelas bactérias acumuladas, acaba endurecendo e formando o tártaro, que pode se espalhar por baixo da margem gengival. À medida que a doença avança, o tecido gengival se afasta dos dentes, formando uma bolsa profunda, onde mais bactérias se acumulam e degradam o osso e os ligamentos de suporte.

O papel da Porphyromonas gingivalis

Embora mais de uma espécie de bactéria seja a causadora da doença periodontal, a P. gingivalis é a oportunista número um. Esses microrganismos são classificados como bactérias anaeróbias gram-negativas, que crescem em um ambiente sem oxigênio, como observa a revisão publicada na Frontiers in Microbiology. É por isso que as bolsas embaixo do tecido gengival são o local perfeito para essa espécie, principalmente aquelas mais profundas causadas pela doença mais avançada.

A revisão da Frontiers in Microbiology aponta que essa espécie de bactéria é encontrada em 85,75% das amostras de placa colhidas por debaixo da margem gengival de pacientes com periodontite crônica. E como essas bactérias têm a capacidade de driblar algumas respostas imunológicas do organismo, elas se disseminam facilmente. Além disso, a P. gingivalis tem fatores de virulência que causam danos às células do paciente.

Relação entre doença periodontal e doença sistêmica

Um artigo recente da revista Biomedical Journal relata que a lista de doenças com possível relação com a doença periodontal está crescendo. Entre elas, podemos mencionar:

  • Diabetes e resistência à insulina
  • Doenças cardiovasculares
  • Infecções respiratórias
  • Doença de Alzheimer
  • Cânceres gastrintestinais e colorretais

Alguns desfechos adversos da gravidez também foram relacionados a doenças periodontais. Entretanto, o artigo adverte que ainda não foi totalmente estabelecida uma relação de causa e efeito, e os estudos estão em andamento.

Uma possível explicação para essas relações é que bactérias como a P. gingivalis produzem endotoxinas que poderiam contribuir diretamente para doenças sistêmicas. Essas bactérias podem entrar na corrente sanguínea após um cirurgia ou outros procedimentos odontológicos.

Também pode haver uma relação indireta associada à resposta inflamatória do organismo. A inflamação na boca pode provocar uma inflamação sistêmica, ou seja, em todo o corpo; por outro lado, a inflamação sistêmica pode afetar a inflamação na boca. Essa situação é normalmente evidente em pessoas com diabetes, cujos níveis descontrolados de açúcar no sangue podem predispor à doença periodontal e, da mesma forma, a doença periodontal pode afetar negativamente os níveis de açúcar no sangue. Da mesma forma, como a doença de Alzheimer é o resultado de processos inflamatórios, a doença periodontal pode aumentar o risco de uma pessoa sofrer de Alzheimer. Por outro lado, a higiene bucal comprometida em uma pessoa com Alzheimer pode aumentar o risco de doença periodontal.

Tratamento e prevenção

Se você tiver qualquer sinal de doença periodontal, como sangramento, dor ou inchaço na gengiva, é uma indicação de que precisa repensar sua rotina de higiene bucal. Você deve escovar os dentes cuidadosamente duas vezes ao dia com uma escova de cerdas macias, limpando bem toda a margem gengival. O uso diário do fio dental é fundamental. Consulte o dentista para fazer limpezas dentárias pelo menos duas vezes por ano para remover o tártaro endurecido antes que ele danifique a gengiva ou cause a formação de bolsas. Se a doença periodontal tiver atingido o estágio de bolsas profundas e perda óssea ao redor dos dentes, o dentista pode recomendar procedimentos periodontais cirúrgicos para interromper sua progressão.

Você pode ter bilhões de bactérias na boca, mas com bons hábitos de higiene bucal e consultas regulares ao dentista, pode limitar o risco da P. gingivalis causar doença periodontal.

Este artigo tem como objetivo informar e difundir o conhecimento sobre tópicos gerais de saúde bucal. Esse conteúdo não deve substituir a orientação, o diagnóstico nem o tratamento profissional. Sempre procure a orientação do seu dentista ou de outro especialista para quaisquer dúvidas que você possa ter com relação à sua condição médica ou ao seu tratamento.