Piercing na língua não é tão arriscado assim, mas algumas coisas podem dar errado

amigas com piercing na língua tirando selfie

É difícil acreditar que algumas coisas algum dia se tornarão populares.

O piercing na boca, se já não se tornou convencional, pelo menos se tornou mais comum nos últimos anos. De acordo com uma pesquisa realizada numa determinada universidade de Nova Iorque, 16% das mulheres e 4% dos homens tinham piercing na língua.

Os riscos desta prática não são tão diferentes do que fazer um furo na orelha, no entanto, se você está pensando em fazer um buraco na sua língua, é bom estar ciente do que pode dar errado.

Os problemas mais comuns de piercing oral incluem sangramento excessivo, infecções e lesões na boca e os dentes. Outros incluem inchaço, cicatrizes, danos aos nervos e doença periodontal.

Na pesquisa com estudantes universitários de Nova York, 6% daqueles que tinham piercing oral tiveram algum tipo de problema depois. Essa percentagem é inferior às taxas de problemas associados ao piercing na orelha (12%), nos mamilos (21%) e no umbigo (24%).

"Embora seja incomum, alguns pacientes precisam de internação hospitalar e tomar antibióticos intravenosos para tratar infecções na língua e no assoalho da boca", diz o Dr. Sidney B. Eisig, professor e diretor de cirurgia oral e maxilofacial da Columbia University College of Dental Medicine em Nova York. Além disso, continua, "uma vez que o perfurante seja removido, fica uma cicatriz na língua".

Existem vários casos em que pessoas trincam ou lascam os dentes com seus piercings. Um estudo revelou que quase metade das pessoas que usavam ou tinham usado piercings do tipo barbell longos (com cerca de 1,6 cm ou mais) em seus furos por menos quatro anos, apresentavam algumas lascas nos seus dentes de trás.

Estudos recentes sugerem que a gengiva da parte de dentro da frente da boca é mais propensa a se retrair se a língua for furada. Isto é acontece porque o piercing acaba exercendo uma pressão repetida contra os dentes da frente. Depois que a gengiva retrai, o osso embaixo dela é reabsorvido pelo corpo. Isto pode fazer os dentes amolecerem e, depois, levá-los a cair.

Dentistas também sugerem que piercings podem quebrar alguns tipos de restauração, como coroas feitas de porcelana ou de porcelana e metal. Por isso, alguns profissionais recomendam bolinhas ou barbells de acrílico, em vez de metal.

Jessica Clendenon furou sua língua pela primeira vez quando ela tinha 21 anos. Desde então, ela removeu o barbell duas vezes, permitindo que a língua cicatrizasse, apenas para furar de novo em ambas. Atualmente, diz ela, "A terceira vez é a que vale. Eu não tenho nenhuma intenção de tirar [esse piercing]".

Jessica diz que ela nunca teve infecção em qualquer um de seus furos. Mas ela também disse que em todas as ocasiões, ela seguiu as instruções pós procedimento ao pé da letra.

"Durante duas semanas, eu tinha que enxaguar a boca com enxaguante bucal toda vez que comia ou bebia qualquer coisa. Eu carregava uma garrafinha tamanho viagem para todos os lados", diz ela. "Eu acho provável que a maioria das pessoas que contraem infecções é porque não se cuidam depois".

Ela complementou, dizendo "algumas pessoas ficam brincando com ele [o barbell] ou mastigam em cima dele. Acho que é por isso que os dentes racham".

Jessica disse ter tido inchaço inicialmente, mas que a área cicatrizou completamente depois de duas semanas. Após seu segundo piercing, ela notou feridas na gengiva perto da parte inferior dos dentes, o que a levou a retirar o barbell. Atualmente, ela afirma: "se o meu dentista pensasse que [o piercing] representava um sério problema aos meus dentes e gengivas, eu o tiraria".

Os piercings também podem interferir no ato de comer e falar. Jessica diz que ela teve de "aprender a falar tudo de novo, especialmente os sons de S e T". Mas diz que agora "quase ninguém consegue perceber que tenho piercing na língua. Eu considero o piercing como qualquer outra peça de adereço, tal como brincos ou uma pulseira".

E o que o dentista dela acha disso?

"Eu tive dois dentistas desde que eu coloquei [piercings orais] e eles não ficam exatamente entusiasmados com ele", diz ela. "Meu último dentista disse 'eu acho que você não precisa que eu lhe diga que não gosto da ideia'".

Este artigo tem como objetivo informar e difundir o conhecimento sobre tópicos gerais de saúde bucal. Esse conteúdo não deve substituir a orientação, o diagnóstico nem o tratamento profissional. Sempre procure a orientação do seu dentista ou de outro especialista para quaisquer dúvidas que você possa ter com relação à sua condição médica ou ao seu tratamento.

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Por que o tabaco é uma AMEAÇA À SAÚDE ORAL?

A maior ameaça do trabalho a saúde pode ser sua associação ao câncer bucal. A American Cancer Society relata que:

  • Aproximadamente 90 por cento das pessoas com câncer bucal e na garganta utilizaram tabaco. O risco de desenvolvimento de câncer aumenta conforme as pessoas fumam ou mascam com maior frequência ou por maior tempo.

  • Fumantes possuem seis vezes mais probabilidade do que não fumantes de desenvolverem cânceres.

  • Aproximadamente 37 por cento dos pacientes que continuam a fumar após tratamento de câncer desenvolverão outros cânceres na boca, garganta ou laringe. Somente 6 por cento das pessoas que desistem de fumar irão desenvolver cânceres secundários.

  • Fumantes de tabaco foram associados a cânceres nas bochechas, gengiva e superfície interior dos lábios. O tabaco sem fumaça aumenta o risco de câncer cerca de 50 vezes.