Ácidos graxos poli-insaturados podem reduzir a incidência de doença gengival

Novas pesquisas mostram que o consumo alimentar de ácidos graxos poli-insaturados como o óleo de peixe, que possui propriedades anti-inflamatórias conhecidas, é promissor para o tratamento e a prevenção da periodontite, que é uma doença inflamatória comum na qual o tecido gengival se afasta dos dentes – levando ao acúmulo de bactérias e potencial perda óssea e dental.

Tradicionalmente, os tratamentos para periodontite se concentram na infecção bacteriana. Estratégias mais recentes têm como alvo a resposta inflamatória. Num artigo publicado na edição de novembro do Journal of the American Dietetic Association, pesquisadores das Faculdades de Medicina e de Saúde Pública de Harvard sugerem que a terapia alimentar pode constituir um método mais simples de prevenção e tratamento.

"Descobrimos que a ingestão de ácido graxo n-3, particularmente o ácido docosaexaenóico e o ácido eicosapentaenóico, está inversamente associada com a periodontite na população norte-americana", diz Asghar Z. Naqvi, MPH, do Departamento de Medicina do Centro Médico Beth Israel Deaconess. "Até o presente momento, o tratamento da periodontite envolve primariamente a limpeza mecânica e a aplicação tópica de antibiótico. Dessa forma, uma terapia alimentar, se eficaz, pode representar um método menos dispendioso e mais seguro para a prevenção e o tratamento da periodontite. Dadas as evidências indicando uma participação dos ácidos graxos n-3 em outras condições inflamatórias crônicas, é possível que o tratamento da periodontite com esses ácidos venha a trazer o benefício adicional de prevenir outras doenças crônicas associadas com a inflamação, entre elas o derrame".

Os peixes gordos como o salmão e outros alimentos como a pasta de amendoim, a margarina e as nozes contêm quantidades significativas de gorduras poli-insaturadas.

Para conduzir a pesquisa, os investigadores usaram dados do Exame Nacional de Saúde e Nutrição (NHANES) e constataram que a ingestão alimentar dos ácidos graxos poli-insaturados docosaexaenóico (DHA) e eicosapentaenóico (EPA) foi associada com uma prevalência reduzida de periodontite. O ácido graxo poli-insaturado ácido linolênico (LNA) não mostrou essa associação.

Mais de 9.000 adultos que participaram do NHANES entre 1999 e 2004 e receberam exames dentais participaram do estudo. A ingestão alimentar de DHA, EPA e LNA foi calculada com base em entrevistas para inquérito de recordatório alimentar de 24 horas. Dados sobre o uso suplementar de ácidos graxos poli-insaturados também foram levantados. O estudo NHANES também coletou abrangentes dados demográficos, étnicos, educacionais e socioeconômicos, que indicaram aos pesquisadores outros fatores a serem levados em consideração.

A prevalência da periodontite na amostra do estudo foi de 8,2 %, e houve uma redução de aproximadamente 20 % na prevalência da periodontite nos sujeitos que consumiam a quantidade mais alta de DHA alimentar. A redução correlacionada ao EPA foi menor, enquanto a correlação com o LNA não foi estatisticamente significante.

Três resultados interessantes emergiram deste estudo, diz Elizabeth Krall Kaye, Ph.D., professora da Faculdade de Odontologia Henry M. Goldman da Universidade de Boston:


(1) Ingestões relativamente modestas de DHA e EPA podem reduzir as probabilidades de doença periodontal.

(2) Ingestões nos níveis mais altos não reduziram adicionalmente as probabilidades de doença periodontal.

(3) Os resultados não foram diferentes quando os pesquisadores examinaram a ingestão alimentar associada à suplementar – o que significa que pode ser possível obter benefícios clinicamente significantes para a doença periodontal com a ingestão de níveis modestos de ácidos graxos n-3 através da alimentação.

Segundo a American Dental Association, as doenças periodontais são classificadas de acordo com a severidade da doença. Os dois estágios principais são a gengivite e a periodontite. A gengivite é a forma mais branda e reversível da doença periodontal, que afeta apenas a gengiva. A gengivite pode levar às formas mais sérias e destrutivas de doença periodontal chamadas de periodontite.

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