Novo estudo identifica marcadores genéticos ligados ao câncer bucal

Pesquisadores da área odontológica identificaram marcadores genéticos na saliva que poderiam auxiliar na detecção de câncer bucal, segundo um estudo publicado na edição online do periódico Clinical Cancer Research.

Os marcadores, chamados de microRNAs, são moléculas produzidas nas células que possuem a capacidade de, simultaneamente, controlar a atividade e avaliar o comportamento de múltiplos genes. Os pesquisadores acreditam que esses marcadores poderiam ser a chave para a detecção precoce do câncer. O aparecimento de um perfil de microRNA na saliva representa um grande passo na direção da detecção precoce do câncer bucal.

De acordo com a American Cancer Society, cerca de 35,7 mil novos casos de câncer da cavidade bucal e da orofaringe serão diagnosticados nos Estados Unidos neste ano, com a estimativa de que 7,6 mil pessoas morrerão desses cânceres em 2009.

Dr. David T. Wong, da Universidade da Califórnia, Faculdade de Odontologia de Los Angeles, e colaboradores mediram os níveis de microRNA na saliva de 50 pacientes com carcinoma bucal de células escamosas e de 50 pacientes saudáveis de controle.

"A cavidade bucal é um espelho da saúde sistêmica, e muitas doenças que se desenvolvem em outras partes do corpo têm manifestação bucal", diz Dr. Wong.

Os pesquisadores detectaram 50 microRNAs aproximadamente. Dois microRNAs específicos estavam presentes em níveis significativamente mais baixos nos pacientes com câncer bucal do que nos pacientes saudáveis de controle.

"Ser capaz de medir a presença de um câncer sem uma biópsia significa um grande feito na detecção do câncer, de forma que é muito atraente pensar que poderíamos detectar um marcador específico do câncer na saliva do paciente", diz Jennifer Grandis, M.D., professora de otorrinolaringologia e farmacologia na Universidade de Pittsburgh, Faculdade de Medicina e Instituto do Câncer.

As descobertas do estudo precisam ser confirmadas por uma análise mais abrangente, acrescenta Dr. Wong. O estudo foi patrocinado pelo National Institute of Dental and Craniofacial Research.

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