Estudo constata que as taxas de sobrevida ao câncer bucal são afetadas por outras doenças que o paciente possa ter

De acordo com um estudo recente, as estimativas atuais de sobrevida ao câncer de cabeça e pescoço são altamente imprecisas por desconsiderarem muitas das doenças mais comuns que os pacientes têm em adição ao câncer primário.

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington, St. Louis, revisaram as fichas clínicas de 183 pacientes com carcinoma de células escamosas da cavidade bucal, garganta e laringe que foram tratados em 1997 e 1998 no Barnes-Jewish Hospital, St. Louis.

Comorbidades – doenças que ocorreram ao mesmo tempo em que o câncer bucal – nesses pacientes incluíram ataque cardíaco, doença de artérias coronárias, tumores que não o primário, doença psiquiátrica, doença pulmonar, derrame, diabetes e alcoolismo. Muitas dessas doenças podem ser relacionadas com uso de tabaco ou consumo de álcool, os mesmos comportamentos que podem contribuir com a ocorrência de câncer de cabeça e pescoço, dizem os pesquisadores.

Os resultados do estudo mostram que 33% dos pacientes com câncer de cabeça e pescoço desenvolveram novas comorbidades ou um agravamento daquelas existentes na época do diagnóstico inicial e tratamento. Pacientes com comorbidades severas durante o período de acompanhamento apresentaram, em média, um risco de 6 a 7 vezes maior de morte.

As comorbidades mais comuns que se desenvolveram ou se agravaram após o diagnóstico foram tumores malignos não relacionados com o tumor original e doenças psiquiátricas. O tipo de tratamento que os pacientes receberam – quimioterapia, radioterapia, cirurgia ou uma combinação desses métodos – não fizeram diferença no número ou severidade das comorbidades.

“Durante décadas, usamos um sistema de determinação do estágio do câncer baseado no tamanho do tumor, envolvimento de linfonodos e se o câncer havia se espalhado para outras partes do corpo, ao estimar a sobrevida do paciente, porém ignorando o quanto o paciente estava afetado por outras doenças", diz o Dr. Jay Piccirillo, diretor do Clinical Outcomes Research Office na Faculdade de Medicina da Universidade de Washington e professor de otorrinolaringologia.

Na verdade, bancos de dados nacionais usados para calcular a sobrevida ao câncer não levam em conta comorbidades e, como resultado, não possuímos estimativas muito precisas do tempo que os pacientes tendem a sobreviver após o câncer", observa Dr. Piccirillo.

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