Tabagismo ligado a risco mais alto de perda dental em mulheres após a menopausa

As mulheres podem ser melhores na escovação regular, no uso do fio dental e no agendamento de exames dentais regulares, mas se elas forem fumantes assíduas por muito tempo, ainda correrão alto risco perda dental devido a doença periodontal, segundo um novo estudo.

Para elucidar algumas das causas por trás da perda dental em mulheres fumantes após a menopausa, pesquisadores na Universidade de Buffalo examinaram detalhadamente as histórias de tabagismo de cerca de 1.100 mulheres pós-menopausa que participaram do Estudo OsteoPerio de Buffalo (parte da Iniciativa do Programa de Saúde da Muler, daquela região o maior ensaio clínico e observacional nos EUA, que envolveu mais de 162.000 mulheres em todo o país).

“Independentemente de adotar melhores práticas de saúde bucal, como escovar os dentes, usar fio dental e visitar o dentista mais frequentemente, mulheres pós-menopausa em geral tendem a apresentar mais perda dental do que homens da mesma idade”, diz Xiaodan Mai, aluna de doutorado em epidemiologia no Departamento de Medicina Social e Preventiva na Faculdade de Saúde Pública e Profissões da Saúde e uma das autoras do estudo. “Estávamos interessados no tabagismo como uma variável que pudesse ser importante”.

As fumantes assíduas estudadas – aquelas que tinham pelo menos 26 anos de tabagismo, ou o equivalente a ter fumado um maço por dia por 26 anos – foram praticamente duas vezes mais propensas a relatar perda dental em geral e mais de seis vezes mais propensas a ter sofrido perda dental devida a doença periodontal quando comparadas com aquelas que nunca fumaram.

As participantes responderam a um questionário detalhado sobre sua história de tabagismo. Cada participante também foi submetida a um exame bucal detalhado e relatou aos examinadores as razões para cada perda dental. Em alguns casos, as fichas odontológicas da paciente também foram revisadas.

“Descobrimos que fumantes assíduas tinham chances significativamente mais altas de sofrer perda dental devida à doença periodontal do que aquelas que nunca fumaram”, diz Dra. Mai. “Também constatamos que quanto mais as mulheres fumavam, mais provável era que elas sofressem perda dental como resultado de doença periodontal”.

Por outro lado, os pesquisadores perceberam que o tabagismo era um fator menos importante na perda dental devida a cárie. Trata-se de uma distinção importante, ela acrescenta. “A doença periodontal é uma condição inflamatória crônica que pode estar relacionada ao desenvolvimento de câncer”, ela explica.

O estudo, que aparece na edição de março de 2013 do The Journal of the American Dental Association, menciona que fumar cigarro pode acelerar a doença periodontal e que outros estudos sugerem que substâncias químicas encontradas na fumaça podem favorecer as bactérias formadoras de placa que podem reduzir a capacidade da saliva de ser antioxidante. A nicotina também mostrou reduzir a densidade óssea e os fatores minerais do osso, enquanto o hormônio estrogênio mostrou ser mais baixo em mulheres que fumam.

Agora a dra. Mai está interessada em buscar pesquisas que possam determinar se fumantes com doença periodontal apresentam risco maior para certos cânceres do que fumantes sem doença periodontal.

“A perda dental devida à doença periodontal é uma condição prevalente entre mulheres pós-menopausa que impacta severamente na dieta, estética e qualidade geral de vida”, diz sra. Mai. “As mulheres agora têm mais uma razão tangível para parar de fumar”.

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